quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Os Bichos

 


 

Antes que falem esta distopia é claramente inspirada no genial George Orwell e sua Revolução dos Bichos. Mas aqui os porcos não estão poder, chafurdam na lama na sujeira lá e acolá, mas o poder pertence a outros bichos, mais escrotos e perigosos.

Há algum tempo atrás uma peste, um morcego vindo da China fez desaparecer a espécie humana. Uns dizem que os humanos não sumiram, estão apenas escondidos em suas cavernas modernas, conhecidas por casas e apartamentos, mergulhados num mundo semelhante ao Mundo das Ideias descrito por Platão. Mas este transe, a que os humanos sucumbiram, foi provocado por um aparelho barulhento que das paredes da caverna transmite todo tipo de besteira, mentira e paranoia. Quando os humanos tentam ver as sombras que se projetam do lado de fora de suas portas são contidos, aos gritos, por seus aparelhos de televisão e por imagens de deidades, influenciadoras de opinião, que repetem sem parar: fique em casa!

Sem homens a terra ficou para os bichos, que tiveram que se organizar em grandes e pequenas fazendas, distribuindo os poderes e tarefas. Claro que poderes para uns poucos e tarefas para os demais. Nosso pago virou um fazendão, o fazendão verde-amarelo.

Um fazendão meio diferente, com uns bichos esquisitões. Aqui as panteras negras por exemplo queria ser panteras afrodescendentes, diziam-se trazidas a força de outros pagos, embora sejam legítimas onças (Panthera onca), nascidas e criadas nestas terras.

E os bichos foram ocupando seus espaços. Algumas espécies dominaram nichos específicos, não que outros bichos não pudessem estar naquele espaço, mas era difícil. No fazendão ninguém podia se fazer de pato a ganso.

A política, com suas câmaras, assembleias e senados ficou para os ratos, ratazanas e camundongos, as vezes aparecia alguma cobra por ali. Mas as cobras preferiam se esconder nos cargos comissionados do serviço público, onde viram aliadas de primeira hora das ratazanas. As cobras inclusive mudaram seus hábitos alimentares agora comiam caviar, peru, lagosta e vinhos finos.

Os cargos subalternos do serviço público, aqueles em que teoricamente tem que se fazer alguma coisa, forma ocupados por elefantes, gordos e lentos, paquidérmicos literalmente. E por bichos-preguiça. Estes também estavam nos sindicatos, sempre parados, tão parados que nem greve mais precisavam fazer.

A imprensa foi ocupada por corvos, papagaios e gralhas, que ecoavam sem parar as mesmas mentiras e profecias que retumbavam nas cavernas das sombras dos homens, uma cacofonia de: Fique em casa! Fique em casa! Fascista! Machista! Bichofóbico (deveria ser homofóbico?!)! E,... Fique em Casa!

Nas artes e cultura animal deu grilo. Os macacos tomaram conta. Bonobos andando literalmente de pau na mão, viraram símbolos da cultura. E o costume símio de cagar na mão e jogar a merda nos outros virou a expressão máxima das artes. Claro que aqui também pululavam peruas, veados e vacas sagradas, aquelas vacas de famílias tradicionais.

A justiça ficou a cargo das serpentes, embora o Pretório Excelso tenha ficado para os Urubus-Rei togados. Adoram chafurdar na carniça e se acham os Reis onipresentes e oniscientes, sabem de tudo e de todos. Dizem, as más línguas que têm uma franga e um pavão escondidos no meio dos urubus. Mas deve ser fofoca, tem até um urubuzinho, o mais novo que ainda não saiu do ovo, fica andando pra lá e pra cá com o ovo na cabeça.

Mas por trás de tudo e de todos estão os lobos. Eles mandam em tudo, ficam com a melhor parte do espólio, caçam em bando e protegem a matilha. Se disfarçam bem no mato do fazendão é muito difícil vê-los e, se você chegar muito perto eles acionam os chacais que controlam a guilda dos advogados e, pronto, os urubus togados mandam você para o xilindró. Deixe os lobos em paz, este é meu conselho.

O único lugar em que os lobos aparecem e fazem questão de controlar as vistas de todos é a Universidade dos Bichos. As vezes uns ratos ajudam os lobos com a tarefa de (des)educar. Lá eles manipulam todos, formando as ovelhas que lhes servirão de repasto no futuro. Quem é educado por lobos, ou lobo é ou vira ovelha e, ovelhas são o jantar.

E os cães de guarda, os cães pastores? Estes foram presos nos quartéis e se tentam sair os papagaios da imprensa começam a gritar: É golpe! Quartelada! Ditadura!

O resto da bicharada carrega o piano, literalmente, trabalha para sustentar os poderosos. São patos, burros de carga, cavalos de arado, camelos e tantos mais. Trabalham de sol a sol, como formigas, gerando comida e dinheiro para os “grandes líderes”. São tratados como rebanho, como gado. 

Gado não! Isto é ofensa. No fazendão, onde a moda é ser vegetariano e vegano (e só comer lagosta, caviar e churrasco escondido) é pecado ser bovino (a menos que você seja uma vaca sagrada), afinal bovinos peidam e aumentam o efeito estufa. Pelo menos é o que disse Greta, uma Lemingue esquisitona, nascida lá pela Escandinávia que vai na frente e é seguida por um monte de idiotas úteis.

Para facilitar a administração do fazendão dividiram tudo em potreiros e os potreiros em currais. E entregaram a administração para cada bicho mais escroto. Por aqui, hoje, temos um Veado e uma Vaca (sagrada). Noutra crônica contarei uma que a Vaca nos aprontou. 

Mas o que virou zona mesmo foi a Presidência do Fazendão. Já tentaram de tudo. Depois que prenderam os cães de guarda nos quartéis, trouxeram uma Morsa, um bicho com um bigodão, metido a poeta, adorava marimbondos. Depois veio um Galo, disseram que era de Galo de Briga, mas acabou sendo um garnizé. Foi trocado por um Pica-pau que só tinha a crista.

Depois veio um Tucano, tinha cara de Macaco, dizia que era uma coisa esquisita, que ninguém sabia muito para que servia, sociólogo, pode ser? É sociólogo, mas no fundo era um Tucano, de uma raça rara, Tucano Vermelho. Tentaram trocar por um bicho marinho, afinal o Fazendão tem mar de sobra.

Veio então um Molusco, uma Lula, de tão ladra que era roubou seu próprio tentáculo, ficou só com nove. E a tal Lula gostava de viver em um ambiente líquido e, por questões de higiene, vivia mergulhada no álcool (ou na cachaça) como queiram. Depois veio uma Anta. Dessa nem preciso alar, seus discursos antalógicos, ou melhor, antológicos falam por ele.

Mas nos últimos tempos o povo, os bichos que trabalham e sustentam todo mundo ficaram brabos e acabaram elegendo um Leão. Tá certo o bicho é meio tosco, ruge por qualquer coisa, parte pra briga, mas, afinal, é um Leão.

E o caldo entornou. Lobos, ratazanas, cobras e urubus estão desesperados. Tentam prender ou matar o Leão de qualquer jeito, mas os cães de guarda estão começando a se agitar. Os papagaios mudaram o grito, agora é: Fascista! Genocida! E, Fique em Casa!

Mas parece que a coisa vai ficar feia no Fazendão. Os bichos do povo perceberam que se tiver um estouro da manada e, eles são a manada não vai sobra nem poeira dos impolutos líderes que hoje vivem nos porões do poder e do serviço público.

Uma nova revolta dos bichos está crescendo e não vai ser nada boa para os bichos escrotos. Tem lobo vestindo pele de cordeiro e aprendendo a dizer mééééé. Mas no estouro da manada nada escapará, não vai ficar pedra sobre pedra. 

O Leão ruge e a manada vai atender ao rugido do Leão e marchar para retomar o seu fazendão.

Ou isso, ou o rugido do Leão despertará os homens. Que vão desligar a televisão, sair do transe, deixar suas cavernas, soltar os cachorros, por pra correr lobos, cobras, ratazanas, urubus e outros bichos escrotos. Retomando, finalmente, o país que é seu por direito.

Ouçamos o rugido do Leão e despertemos de nosso sono nas sombras! Tem muito rato para colocar a correr.

 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Eu furei o lockdown da Galega.

 



 

Passei a última semana em Santo Ângelo, infelizmente meu sogro fez a passagem, descansou como dizem. Mas na última sexta-feira tive de retornar à Pelotas para dar atenção a minha mãe que já é bastante idosa. Aqui chegando qual não foi a surpresa nossa prefeita, a galega Paula, ditatorialmente, decretou lockdown na cidade.

Pelotas estava em bandeira laranja e o Governo do Estado vem afrouxando as restrições mesmo para bandeira vermelha e nossa prefeita resolveu decretar um lockdown.

Aliás desde março ela vinha fazendo esta ameaça, vou trancar tudo, vou fazer lockdown.  E, então, como uma mãe severa e caprichosa, que não foi atendida em seus caprichos pelos seus ‘filhos’ resolveu botar todo mundo de castigo.

Sabe os ‘filhos’, ou seja, o povo não fez o que mamãezinha prefeita quis e pronto ela põe a cidade de castigo. Azar se você teve de sair de casa para trabalhar, para buscar sua comida isto não interessa.

Pior é que o tranca-ruas da pandemia começou aqui muito cedo, só passamos a ter casos em número significativo no final de maio, quando chegou o frio. É assim todo ano com outras doenças respiratórias e não seria diferente com a Gripe Chinesa. Pelotas foi a última cidade com mais de 200 mil habitantes no Brasil a ter mortes. Por COVID, a primeira morte ocorreu em junho e até agora são menos de 30 mortes, pouco para uma cidade de cerca de 400 mil habitantes.

No início da pandemia um Hospital Comunitário ofereceu uma ala recém reformada para a Prefeitura fazer 20 leitos de UTI para COVID, o custo seria de cerca de 200 mil reais e serviria, depois da pandemia, para atender apenas ao SUS. O que fez a Prefeitura? Contratou um hospital de campanha, que sequer foi montado e custou o dobro. Provavelmente da mesma empresa que forneceu os hospitais de campanha do Dória. Adivinha qual o partido da Prefeita?

Sempre, em Pelotas, as liberações foram tardias. E há muita influência, nas ações da Prefeitura, de outro Ebó, o Reitorzinho da UFPel, aqui conhecido por Pedrinho Lockdown. Um professor de Educação Física que se arvorou a pesquisador na área médica, apareceu no Fantástico, quer ser candidato a deputado (provavelmente pelo PSOL) e torrou, em uma pesquisa inútil, 12 milhões de reais do Ministério da Saúde na época do Mandetta (dava para comprar 300 respiradores). O novo Ministro cortou o dinheiro, pois disse que a pesquisa era tendenciosa e não tinha embasamento científico nem utilidade. Mas o Governo do Estado continuo financiando a besteira e a campanha, é claro.

Mas vamos ao lockdown nossa prefeita encarnou o típico tiranete caudilho de republiquetas e mandou fechar tudo na cidade, a partir das 20h do sábado (véspera do dias dos pais) até as 12h horas de terça. Quem saísse à rua levaria multa de 1000 reais. 

Perdeu algumas ações na justiça: correios poderiam abrir e carteiros entregar cartas, postos de gasolina também, mas é claro o cidadão não podia sair de casa. Como nossa prefeita não tem filhos e cria cachorros resolveu flexibilizar a coisa: o cidadão só poderia sair de casa para ir ao hospital ou para levar o cachorro para passear.

Cheguei a pensar em colocar uma coleira em meu filho, chama-lo de Lulu e leva-lo para passear.

Sou indômito, decidi que descansaria no domingo, acabávamos de chegar de uma viagem de 700 km, a noite iria na minha mãe, como sempre vou e na segunda, iria com meu filho para o sítio, em uma cidade vizinha e onde o prefeito não é ridículo.

E a multa? Disse a minha mulher e, por ela fui apoiado, que se você multado, brigaria na justiça.

E o COVID? Princípios meus caros, minha liberdade não tem preço, sempre estive disposto a dar minha vida por meu país. Minha liberdade é mais importante que meu país. Portanto afirmo que é preferível morrer a perder minha liberdade, mesmo que de COVID. 

Não abro mão de meus princípios, se fizermos isto em breve estaremos numa ditadura de esquerda, levando porrada e cala-boca.

O mais ridículo foram as sirenes as 20h de sábado. Me senti num bombardeio da segunda guerra, toque de recolher. Decidi, com alguns colegas, impetrar pedidos de Habeas Corpus no STF, se é para brigar vamos brigar. Quando estávamos encerrando o pedido soubemos que o Procurador Geral do Estado impetrou uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra o decreto da Galega que foi, provavelmente, psicografado pelo nosso professor de Educação Física que faz as vezes de Reitor da Federal.

lockdown, por óbvio, não surtiu efeitos foi uma aglomeração imensa na sexta e no sábado e no retorno na quarta. E no domingo pela manhã, nas vilas e bairros periféricos, todo mundo cagou e andou para Tiranete de plantão. E a Polícia que não entra em vila para prender marginais foi coerente e não entrou para fiscalizar o furo do decreto, até porque o STF proibiu, não é?

Meio-dia o TJ-RS caçou os artigos ditatoriais do decreto da Galega e, eu entrei em meu carro com meu filho e fui circular na cidade. Chance de contaminação zero, estávamos no carro, mas tudo fechado, andamos por horas a fio, por todo lado. Apenas para exercer nosso direito constitucional de ir e vir.

Na segunda a coisa começou a melhorar e fui para o Sítio voltei a noite. Na terça trabalhei pela manhã e fui ao Shopping (fazer nada) a tarde.

A ideia era furar o lockdown na marra, com autorização judicial foi mais gostos.

E nossa Tiranete de plantão ficou com cara de tacho. Agora é trabalhar arduamente para que ela não se reeleja e para impedir que o Pseudocientista, pseudomédico e, infelizmente, atual reitor, se eleja em qualquer cargo público.

Se não lutarmos por nossos valores, por nossos ideais, por nossa liberdade, nos tornaremos escravos destes pulhas e legaremos a nossos filhos uma nação amarrada com os grilhões da esquerda, do politicamente correto e das elites corruptas.

Levantemo-nos irmãos, à Pátria precisa de nosso grito nas ruas!

 

P.S.: Fiquei sabendo hoje, com muita tristeza, que devido a pandemia e as cagadas de nossos gestores fechou as portas em Pelotas o Centenário Café Aquários, ponto equivalente a Boca Maldita de Curitiba aqui em Pelotas. Durante sua longa existência o Café Aquários, ou Esquina do Já Comi, foi palco de tudo que é relevante nesta cidade. É patrimônio material da cidade e do estado do Rio Grande do Sul. Me entristece muito, como frequentador, que tenha fechado. Espero que seja só temporário.

Semana que vem farei uma coluna sobre o Café.

 

RESISTIR! LUTAR! RESISTIR!

Mas com muito orgulho posso afirmar que furei o lockdown da Galega.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

SONHOS...




Sonhei! Sonhei um sonho sonhado. Sonhos sonhados não são devaneios, tampouco são pesadelos, são sonhos que sonhamos acordados.
Os sonhos sonhados refletem um desejo profundo que marca alma e coração. Não tem nexo nem lógica, só profunda emoção.
Estes sonhos são aqueles que temos, racionalmente expressando desejos insatisfeitos de nossa alma, nos vem naqueles breves momentos entre o sono do sonho e o despertar da emoção.
Ao sofá, na poltrona, na cama, perto da lareira, neste frio distanciamento todos sonhamos belos sonhos sonhados. Mas a lógica e o despertar afastam-nos de seus devaneios. E que belos devaneios. Grato sou a Morfeu, que em seus braços acalentou minh’alma e permitiu-me lembrar das mágicas loucuras de meu devaneio acordado.
Preso a s sólidas amarras desta insana pandemia, fiquei a divagar sobre àqueles que se tornaram companheiro deste Bem-aventurado caminhante, que divaga e caminha, solitário, na senda de sua existência.
Aqui, neste Bestial e democrático espaço, uma ágora cibernética, encontrei confrades, amigos e debatedores excelentes e aqui na solidão de minha sala, sob o calor dos fogos dos Lares e sob os eflúvios benéficos do Néctar dionisíaco imagino, que se, quiçá, as Moiras nos permitiram um encontro desta peculiar confraria: os escribas do JBF.
Quiçá, devaneio, um encontro presencial em um lauto banquete, de uma ordem, confraria ou academia. Como sonho acordado minha razão permite tutorar um pouco o sonho. Quem sabe um jantar da Academia BestaFubanense de Letras. Imaginem!
Uma reunião dos escribas e ensacadores de ventos e fumaça, que abrilhantam e polemizam as páginas diárias deste magazine cibernético. Sob a batuta do Mestre Berto.
Não, não seríamos imortais, tais quais as múmias que habitam e sugam fluidos nas outras congêneres. Seríamos mortais e passionais. É nossa mortalidade que abastece e alenta nossa paixão como o vinho que abastece e aquece nossa alma. Pois, saibam que é a visão da garrafa que se esvazia, golfando em nossa taça as últimas gotas de seu precioso líquido, é esta visão que nos faz sorver sôfrega e prazerosamente o néctar rubro da paixão etílica.
E continuei, caros Confrades, a sonhar meu sonho acordado. Já dando-lhe asas de um Ícaro mitológico, que voa incontinente na direção da luz do sol, astro guia, que ilumina seu caminho e alma.
E neste sonho, lá estávamos todos, em um lauto banquete, instalando a Academia. Sentados à Távola retangular, com Mestre Berto à cabeceira. Retangular, não redonda?  Sim retangular, em meu sonho não há igualdade, até porque somos iguais apenas em nossas grandes diferenças. Ser diferente é o que nos faz especiais, é nossa singularidade, únicos em nossas almas, tão diferentes, que quase somos iguais. Somos múltiplos e unos. Únicos em nossa multiplicidade, Homo sapiens, Homo demens, Homo ludicus, fabrens, politkhons ou idiotha (no sentido grego da palavra). Somos muitos em um e, um em muitos.
Então à Cabeceira Mestre Berto, na cadeira número 01 da Academia, duplamente apadrinhada, traz como Patronos o Mestre Berto e a Besta Fubana, os dois unos e coesos. Ao seu lado Chupicleide, à direita e, Jessier à esquerda. Na ponta direita do retângulo-mesa, Adônis e na outra extremidade oposta ponta esquerda, separados pelo que de mais longínquo é possível, Altamir, a tudo filmar. Claro que por segurança os dois confrades usam belas coleiras com cravejados e brilhantes nomes das esposas, presas é claro a curtas correntes, evitando qualquer homenagem a Belona. Impedidos das vias de fato, mas da boca...saíram cobras e lagartos. Ao lado oposto da mesa o Confrade Goiano, às vezes de opositor, o advogado do diabo, Papa negro, ou será vermelho, sentado a cadeira do Patrono Ceguinho Teimoso
Na gigantesca távola de ágape todos nós: João Francisco, Beni, Marcos Pontes, Deco, Joaquim Francisco, Roque, Assuero, Bertoluci, Cavalcanti, Maurino, Bernardo, Dudu Santos, Aristeu, Brito, Ivan, Cícero Tavares, Arthur Tavares, José Ramos, Gonzaga, Agostini, Brickmann e todos outros que se aqui não cito, são vívidos em meu sonho tal qual o são em nossos corações. Todos retratados pela pena de Sponholz, caricaturas e caricatos.
E sentados frente a frente este que vos fala, no papel de escriba e o orador. Escriba eu? Sim, porque o sonho sonhado é meu e nele designo-me a função que melhor aprouver. Então o homem de Léon fazendo o papel de escriba, secretario ad hoc deste nosocômio, papel que qualquer um dos outros confrades desempenharia de melhor forma, mas que o façam nos seus sonhos.
E nosso orador é ele, o senhor Panza, Sancho o santo ou louco. E Berto, fez uso da palavra, e entronou todos e cada um em suas cadeiras, deu-nos ante a mortalidade de nossas vidas e a finitude de nossas obras, a oportunidade de viver pelos tempos imemoriais das paixões fubânicas. E, todos devidamente entronados, nas cadeiras que salvo raras exceções eles próprios patrocinaram, seguiu-se lauto baquete, de comes e bebes estranhos e peculiares, como peculiares e, até estranhas eram as roupas dos convivas.
Não havia fardão, uniforme ou fantasia, pois, todos ali estavam em alma e coração, e alma e coração não se vestem, se despem. E os comes e bebes, lautos e fartos, a todos satisfaziam, pois Confrades cum pannis são, compartilhando o pão que nutre corpo e alma. E, da cachaça, elixir etílico, que embriaga o corpo e entorpece a alma, todos bebericaram sem cerimônia sabedores que a boa prosa é o vinho do espírito.
E conversas só miolos de pote. Até que reinou o silêncio respeitoso para o discurso de nosso orador Sancho. Belo e fascinante discurso, impossível de registra em palavras escritas, tal qual é impossível de compreender.
Seguiu-se a análise dos trabalhos, feita pelo nosso contraditório Goiano. Pela primeira vez, com ele todos concordamos, ao analisar a bela e rebuscada prosa de nosso orador, disse: “Sancho! Belíssimo discurso. Não entendemos porra nenhuma. Mas foi um discurso belíssimo. Pois quem fala com o coração não transmite palavras ou ideias, transmite sentimentos e, todos sentimos junto contigo!
E, a giza de encerrar, disse-nos Goiano: - Mestre Berto fortes, sábios e belos foram todos os afazeres aqui, hoje desempenhados. Traduziram-se aqui a força, a beleza e a sabedoria tal qual as três colunas gregas que sustentam os panteões do mundo.
E disse o Mestre Berto: Satisfeitos, vão em paz confrades.
E meu sonho sonhado foi chegando ao fim, mostrando o que deseja esta alma cansada da jornada da vida. Deseja descansar, falando bobagens ao lado de seus confrades fubânicos. Sonho impossível? Talvez não nestes tempos internéticos. Talvez possamos nos reunir virtualmente, uma noite usando dos recursos disponíveis e jogar conversa fora por alguns momentos. Pense nisto Mestre Berto.
E este foi, caros Confrades, meu Sonho Sonhado, aquele que sonhei acordado.
Abraços Fubânicos.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Leituras





Sempre fui um leitor compulsivo. O mundo do livro me encanta, me faz sonhar e viajar. Leio qualquer coisa, poesia em parede de banheiro, jornal velho, bula de remédio, mas os livros...Ah! Os livros são meu xodó.
Tempos modernos e as demandas diárias do trabalho fazem com que tenha de ler cada vez mais na tela de computadores, tablets e celulares. Coisa mais sem graça e já está afetando minha visão ou será a idade? Talvez ambos.
Mas a necessária ‘leitura eletrônica’, cada dia mais comum não substitui um bom livro.
Gosto de livros, coleciono livros, ouso dizer que sou um bibliófilo, possuir livros me ‘da um prazer quase inigualável, só superado pelo prazer de possuir uma linda mulher (quando jovem e solteiro, registre-se e ressalte-se. Sempre é bom frisar isto, vá que a patroa resolva ler esta coluna).
Tenho muitos livros e ainda assim acho poucos. Mas paixão é isto, é inexplicável. Tão inexplicável e inebriante como o cheiro e o farfalhar das páginas de um livro novinho em folha.
Este som e cheiro só podem ser comparados em minhas memórias ao cheiro forte da saudade que emana junto ao som úmido das folhas de um velho e usado livro, com suas páginas repletas de ideias e ideais.
Livros são companheiros de jornada, de viagens e de aventura e um ótimo antídoto contra chatos, burros, medíocres e esquerdistas em geral.
Ler nos permite conhecer mundos, é alimento a alma, é a liberdade do espírito. Lei, como disse de tudo, sou rato de livrarias, visitante frequente e costumaz de feiras de livros. Não raro viajo para visitar cidades durante feiras de livros e aproveito para conhece-las ou revê-las (as cidades em questão, já que o motivo da viagem são os livros).
Mas de tudo que leio tenho preferências: história das religiões, mitologia, filosofia medieval, literatura sobre comida e viagens, literatura escoteira e, para relaxar a mente, gosto de literatura infanto-juvenil e de besteirol. Coisas para ler sem compromisso, tipo Harry Potter e os livros (excelentes, por sinal) de Rick Riordan.
Só jogar conversa fora, beber vinhos e viajar superam minha tara por livros (tirei mulheres da lista, pois estas representam um vício incurável. Espero sinceramente que a patroa não leia este livro. Mas tenha certeza amor, estou bem comportadinho).
Mas veio este desgraçado deste vírus chinês. Desculpem! Esqueci que não pode dizer que um vírus que veio da China Comunista, provavelmente fruto de uma cagada da ditadura comunista do país. Não pode ser chamado de vírus chinês, muito menos de vírus comunista (em defesa do vírus, já observamos que a letalidade do COVID é muito menor do que a letalidade dos regimes comunistas). Mas veio o vírus comunista chinês, a tal da besteira do lockdown e, pronto eu em casa sem ter muito para fazer e sem ter o que ler (minha memória fotográfica já foi melhor, mas ainda consigo recordar quase tudo que leio, o que torna as vezes entediante uma releitura). 
Fiquei sem novos companheiros de jornada porque não há novas edições a disposição, não vem às livrarias novos livros. Não encontro nada interessante que não tenha lido, nem em português, nem em inglês, espanhol ou, até em francês ou italiano, idiomas que me aventuro a ler. Sei estou ficando um chato de galochas. Mas parte é depressão destes tempos idiotizados que vivemos.
Mas eis que, do nordeste do Brasil, do bagaço surge uma salvação e hoje, dia frio, modorrento de inverno aqui no sul. Dia em que convalesço em casa, acometido de cólicas renais, a dois dias. Chegam para meu júbilo duas encomendas. Uma que fiz na Editora Bagaço buscando conhecer a obra de nosso Mestre Berto. E, outra oriunda dele mesmo o Mestre Berto me presenteando com sua obra autografada. Tenha certeza que terá lugar de honra em minha humilde biblioteca meu irmão.
Berto quem presenteia livros, dá ao presenteado, parte de sua alma e de seu coração. Ainda mais quando presenteias uma obra original e genial como a tua.
Muito Obrigado mesmo! De coração. Espero um dia poder retribuir-te com algo de minha humilde lavra.
Anexo uma foto do avô babão, de pijamas, na frente da lareira, recuperando-se das malditas pedras expelidas, com meu neto e os livros chegados 21 dias após sua postagem (sinal de que as distâncias no Brasil são grandes e a incompetência dos Correios também).
Agora vou ter o que ler. A quarentena parecerá mais leve.
Obrigado!


PS: Da alegria da chegada dos livros à uma última homenagem. Fiquei sabendo agora do passamento do Dr. Carlos Prentice. Peruano, Professor, Cientista e Engenheiro foi meu orientador de mestrado e, mais que um orientador fui um grande amigo, conselheiro fiel, dono de uma conversa inteligente e de uma alma contagiante, um Grande Mestre na acepção da palavra. Descanse em paz Irmão, que o Grande Arquiteto te ilumine e acolha na sua Oficina.

domingo, 12 de julho de 2020

A UNIVERSIDADE PÚBLICA É O LIXO DA POLÍTICA – PARTE IV




            Continuando minhas reflexões a cerca da política suja que se faz dentro das Universidades Públicas brasileiras e, que é reflexo ou é refletida (creio que um pouco dos dois) na sociedade brasileira, especialmente nos nichos mais elitizados e/ou pseudo-intelctualizados, trago estas últimas reflexões.
Agora vejo, mesmo depois de 4 colunas escritas, que há muito mais o que falar. Na condição de docente são mais de 25 anos neste meio, mais o período de aluno, vi, presenciei e ouvi muita coisa. E, mea culpa, calei-me e fiquei indiferente para muito também.
Creio que também não posso ser apenas crítico. A crítica pela crítica é apenas o resultado de uma observação covarde e/ou rancorosa. Homens de verdade devem ser críticos e reflexivos, mas também devem ser, obrigatoriamente, propositivos. Portanto a partir da próxima quarta farei uma ou duas colunas com a minha reles opinião sobre o que precisaríamos fazer para mudar. Hoje nesta coluna final farei algumas ponderações e apontamentos pontuais, algumas vezes sem aprofundar discussões pois isto demandaria muita escrita, mas tenham certeza que foi tudo muito refletido.
Como já lhes afirmei a ‘endogamia acadêmica’ é um problema sério nas Universidades, pois faz com que apenas aqueles com pensamentos e ideologias semelhantes ao status quo dominante consigam vagas na academia. E aí desaparece qualquer possibilidade de embate de ideias, de mudança de paradigmas e de avanços. Os departamentos passam a ser ninhos de um pensamento doutrinário e centralizado e passam a ser reacionários a qualquer mudança, mesmo e, principalmente, quando esta vem de fora, do mercado e, aponta a necessidade de adequações e ajustes que desacomodam seus membros.
Também este fato de que o privilégio formativo, ou seja, ser bolsista do mesmo departamento ou professor da iniciação científica (na graduação) ao pós-doutorado, faz com que este novo professor seja bom escritor científico, cheio de publicações (o que segunda a CAPES faz dele um cientista, mesmo que jamais produza uma patente) e operador competente de rotinas de pesquisa e laboratório. Mas nunca teve uma experiência no mercado de trabalho, nunca esteve em um chão de fábrica.
Daí é fácil achar que o mercado é perverso, que o capitalismo é selvagem. Alguém que não conhece a realidade do mercado, da indústria e que recebe seu sustento, regiamente pago, pelo Estado pode tecer críticas e posicionar-se contra aquilo que desconhece a produção privada. O problema é que este indivíduo que nunca esteve em uma fábrica e só visitou uma obra no estágio é quem vai formar nossos futuros profissionais técnicos e engenheiros. 
O professor que só vai em escola pública em época de campanha eleitoral pedir voto para os ‘companheiros’ do partido, nunca põe o pé no barro e discute educação brasileira em congressos no exterior ou em hotéis na praia. Isto é claro, depois de 12 ou 15 anos, como bolsista, na Universidade, sendo bombardeado por Paulo Freire e outras pragas. Que a única coisa que fez além disto foram manifestações, invasões, protestos e quebra-quebra ao estilo blackblocks, sempre protegido pelo ‘direito’ de protestar, segundo eles e seus mentores, contra o fascismo e pela democracia (o conceito de democracia destas criaturas é muito diferente do meu, graças a Deus). Este indivíduo, depois de tudo isto, desta vasta experiência, é quem vai, sem nuca ter alfabetizado alguém, é quem vai formar os professores de nossos filhos e netos. Só podia dar em merda!
E, quem já participou de uma banca de concurso público sabe, há muita ‘discricionariedade’ nestes concursos, portanto se ninguém parar os pés dá para manipular. Até porque o candidato preferido tem ótimo currículo vitae só não teve experiências de vida, mas para que ter experiências? A Universidade lhe ensinou tudo o que precisa para viver na bolha. 
Este sistema também facilita aos que tem ‘oportunidades’, os famosos filhos de alguém, que por competência própria ou dos pais acabam entrando no ciclo das bolsas e daí seguem para a almejada e comemorada vaga de professor, consolidando autênticas dinastias.
Outra coisa preocupante é a DE, Dedicação Exclusiva, que é a remuneração para que o professor não tenha nenhuma outra atividade e dedique-se apenas à Universidade. Antigamente os professores faziam concursos sem DE e tinha de apresentar, periodicamente, um plano de trabalho. Depois os concursos passaram a ser já com a previsão de DE. Mais recentemente os concursos voltaram a ser sem DE, mas a pedido a mesma é concedida no momento do ingresso.
Vejam bem a DE, nas IFES (Instituições Federais de Ensino) representa cerca de 160% sobre o salário, sem a DE nossos vencimentos não seriam tão atrativos. Isto compele todos, ou praticamente todos os professores a solicitarem DE. Também tenho DE e não me considero demagogo. Procuro prestar consultoria através de projetos de extensão para agricultores familiares e pequenas indústrias, sem custo, isto me mantém próximo do mercado e sociedade. Também realizo, as minhas expensas, visitas técnicas em indústrias e na área produtiva com frequência.
Esta é uma realidade, que ainda bem, se reflete bastante na área agrária e de engenharias. Na medicina, odontologia e direito a DE não é tão frequente, mas os números vêm crescendo. Mas na área de humanas, onde é quase de 100%, a ojeriza ao mercado faz com os professores se isolem na bolha.
O que fazer, um pitaco apenas. Incorpore-se as DE’s (não pode, por lei, haver redução salarial), libere-se os professores ao mercado, cobre-se rigidamente o cumprimento dos compromissos na Universidade. E, conceda-se DE apenas aqueles bem mais antigos (Titulares p.e.), com produção relevante e sob condicionantes, como por exemplo, não poderem fazer greve. A DE pode ser também temporária e com a renovação condicionada a planos de trabalhos apresentados periodicamente e de interesse público.
Também pode-se liberar e incentivar a contratação de professores de tempo parcial, isto também abriria campo de trabalho, através destes professores já inseridos, para os alunos.
A questão da DE gera outro problema, a burla. Como era muito difícil dar em alguma coisa muitos professores tocam, mais ou menos disfarçadamente, outros negócios. Felizmente nos últimos 3 anos (de forma mais frequente) isto começou a mudar e quem burla a DE tem sido submetido as punições da lei.
Também podemos citar rapidamente a autonomia que as IFES têm para criar cursos, da livre vontade de seus professores e dirigentes. Sem nenhuma demanda da sociedade ou expectativa de empregos, criados a partir do desejo ou da pesquisa de pós-graduação de um professor. Presenciei a criação em uma Universidade, do Curso de graduação em Dança-Teatro, não é dança nem teatro, estes cursos já existiam. Dois professores voltaram do pós no exterior, brigaram com os demais e criaram seu próprio curso (tive de procurar no google para descobri o que é), tiveram vagas para professores, investimento de capital, material. Só não tiveram alunos.
Por que as IFES não podem se submeter a uma análise do MEC para criar seus cursos como as privadas têm de se submeter? Garanto que economizaríamos muito dinheiro.
Por último três pontos, apenas citados para reflexão: os Conselhos Superiores, as lideranças estudantis e os nichos de resistência política.
Os conselhos universitários são compostos majoritariamente por professores, servidores técnicos e alunos das IFES. Os representantes da Comunidade são poucos em geral de 2 a 5 e nomeados pela conveniência do Reitor que os convida ou indica (no caso de representante do MEC) entre seus pares políticos ou conhecidos. Nas Universidades são 70% de docentes e 30% do resto da comunidade. Nos Institutos Federais é pior pois a representação é paritária (1/3 professores, 1/3 técnicos e 1/3 alunos). Um verdadeiro absurdo que os alunos tenham o mesmo peso de professores, basta refletir que um indivíduo em formação e imatura tenha poder de influenciar a escola que forma. É surreal!
Mas, em suma, o que destaco aqui é o fato de que a sociedade, o mercado, o povo, a origem e destino dos alunos e dos futuros profissionais que dali egressarão. E, ao fim e ao cabo, para quem a Universidade deve destinar seu trabalho, pois é quem paga a enorme conta, não tem representação nos “Egrégios” Conselhos que as administram.
As representações estudantis são o que todos sabem. Nicho disputados por partidos de esquerda. Massa de manobra para apoiar protesto invasões, depredação do patrimônio e formação de militância. Além, é claro de espaço livre para maconha, outras drogas, sexo, suruba e putaria. Corrupção pode entrar no rol basta lembrarmos da CPI da UNE que nunca sai do papel e que deveria apurar os desvios da UNE no dinheiro público que receberam. 
Temos a ex-presidente da UNE Marianna Dias que não era mais estudante. Marianna passou no vestibular da Universidade Estadual da Bahia no segundo semestre de 2009 e desligou-se do curso no segundo semestre de 2015, sem concluí-lo (6 anos e não concluiu um curso de 4 anos).
E, se quiserem ter uma noção do que é a política estudantil nas Universidades Públicas vou citar apenas 3 ex-presidentes da UNE, que também estão inscritos na bela lista de apelidos da Odebrecht: José Serra, Lindembergh Farias (que não concluiu a graduação já que virou político do PT) e Orlando Silva. Preciso dizer mais?
Por último “Vossas Magnificências”, como pregava o protocolo de tratamento, suspenso por decreto do presidente Bolsonaro (ainda bem), Vossas Excrecências, quero dizer, magnificências, são os Reitores. Os Reitores eleitos e aboletados em seus cargos, apoiados por um grupo de frente, bem pago pelo erário, de interesseiros e representando interesses, quase sempre, político partidários.
Os Reitores, nesta sistemática, se encastelam nas Reitorias e defendem seus interesses e de seus patrocinadores. E qual é atônica disto. Defender os interesses do Grupo e que se foda a sociedade. Duvidam? Reflitam que as Reitorias da Universidade são os loci de resistência a políticas públicas amplamente debatidas pela sociedade e descritas na forma de lei como: as BNCC, o novo ensino médio ou os novos currículos de licenciaturas. Não importa se é bom para a sociedade, apenas importa é que politicamente são contra e usam para isto o argumento da autonomia universitária (outro ente teratológico criado por nossa constituição, que discutirei em outro post).
Novamente, duvidam? Busquem saber quantas aulas e atividades as Universidades Públicas e Institutos Federais próximos de vocês estão ministrando na pandemia. Verão que, com raras exceções, não há nenhuma atividade. Também questionem o que de relevante estão fazendo (fora os Hospitais Universitários, que não são administrados pelas Universidades e, sim, pela EBERSEH – MEC) na pandemia. Provavelmente produzindo alguns litros de álcool gel, fazendo algumas pesquisas científicas, a maioria para reforçar o pandemônio e o obituário. E, é claro, reforçar o discurso dos ‘terra-paradistas’, do ‘fique em casa’. Há louváveis exceções, sim, mas são minoria. Uma minoria que merece parabéns. Mas o que fazem nossas casas da ciência neste momento? Proselitismo político, na maioria das vezes.
Por isso urgem mudanças, ou vamos ficar patinando ad eternum, vou na próxima semana dar pitacos, sob o que minha vivência indica serem caminhos.
Mas reitero temos que mudar e, muito, nossa Universidade Pública para que deixe de ser: O LIXO DA POLÍTICA BRASILEIRA.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

A UNIVERSIDADE PÚBLICA É O LIXO DA POLÍTICA – PARTE III





Levei um puxão de orelhas didático dos colegas Professores Maurício Assuero e Arael por algumas imprecisões. Mas vejam que os dois primeiros textos, conforme comentei são republicações de 2017, quando ainda vivíamos sob o desgoverno Dilma Roussef.
Quase tudo que está ali ainda é válido e, sim, as Universidades Públicas são um antro das esquerdas reacionárias (hoje muito reacionárias e, antes de me criticar dizendo que reacionária é a direita, procurem no dicionário o significado da palavra), são um local de extremo compadrio e são locus de política, quase sempre suja, e muita politicagem.
Houve avanços a partir da chegada de Temer ao Governo e tentativas, quase sempre boicotadas por todos os atores com poder para isso (STF e Congresso), do Governo Bolsonaro.
Mas a bem da verdade cabem alguns esclarecimentos. As Universidades e Institutos Federais não podem estipular os salários de seus professores e servidores estes são estatutários e regidos pelo RJU. Já algumas Universidade Públicas Estaduais podem e definem, dentro de limites seus salários.
Esta autonomia é muito forte nas Universidades Paulistas (USP, UNESP e UNICAMP) onde os Conselheiros eleitos pelos servidores e, eles mesmos servidores, ganham remuneração o jeton para participar dos Conselhos, onde se decidem toda a vida universitária, inclusive salário. Lembrem das manchetes em 2014/2015 a USP gastava 105% de seu orçamento em salários. De lá para cá não melhorou muito e o gasto gira em torno de 85% do orçamento.
Nas Federais a folha pertence ao rombo do Governo Federal e orçamento é apenas para despesas de custeio e capital, mas se incorporarmos a folha no orçamento das IFES (Instituições Federais de Ensino), as despesas de pessoal vão beirar 80%.
Melhorou muito a democratização e a distribuição de verbas a partir de 2017, com a necessidade de editais para distribuir verbas e bolsas de pesquisa e extensão. Mas reitores e diretores ainda podem direcionar obras e projetos para seus grupos políticos.
Ainda temos as bolsas, cabem ressaltar que hoje a maioria exige editais de seleção, mas há diversas bolsas que ainda podem, ou mesmo sem poder, são distribuídas ao bel-prazer do gestor. Bolsas para EAD (embora as IFES, na pandemia, não estejam fazendo aulas EAD porque (sic) não tem estrutura ou professores preparados. Lembro-me em 2016 o tal do PRONATEC, aquele da Dona Dilma, um pró-reitor tinha o controle de 16 bolsas de R$ 4500,00 (e bolsas não tem desconto) de Coordenação, todas regiamente distribuídas de forma democrática entre seus apoiadores, casualmente com a mesma filiação partidária.
Isto ainda bem acabou. Mas ainda temos os Cargos Comissionados, são muitos e com valores altos. As Universidades e Institutos Federais (IF’S) receberam muitíssimos nos anos 2010 a 2012. Viraram cabides de emprego. Aquilo que antes funcionava com um Chefe e um ou dois ajudantes hoje só funciona com 5 ou 6 chefes, assessores e ajudantes dos ajudantes.
Nos IF’s a coisa ainda é mais grandiosa pois se nas Universidades Federais um Diretor ou pró-reitor recebe CD-3 (bruto aproximadamente R$ 4800,00) nos IF’s recebe uma CD2 (bruto R$ 5600,00) e são centenas. Considerem que os estados têm pelo menos 20 Campi de IF (a maioria tem mais de 60 Campi) e que cada Campi tem uma CD2 e outra tantas CD’s façam a conta do gasto. Cidades minúsculas com Campus com 600 alunos tem 4 ou 5 CD’s. Não esqueçam que ela adiciona ao salário do professor. Um Professor Titular com CD2 pode chegar a um salário bruto na faixa de R$ 25.000,00.
Temos outra excrescência, da qual as Universidades Federais estão livres, mas pulula nos Institutos Federais. A tal da RSC (Reconhecimento de Saberes e Competências), foi criada para atender aos professores mais velhos, que segundo o sindicato não puderam se qualificar, mas por um erro atende a todos.
Os professores ingressam e a primeira coisa que pedem é a RSC. Funciona assim, o professor comprava o cumprimento de alguns requisitos, pontua e recebe por uma titulação acima da que possui. Ou seja, tem graduação recebe como especialista, tem especialização recebe como mestre e tem mestrado recebe como doutor. Simples assim e, se considerarmos que os professores dos IF’s, mesmo os que só dão aula na graduação tem aposentadoria especial (aposentam com 25 anos as mulheres e 30 os homens) ficou barbada.
Conheço dezenas de professores que estavam afastados a dois ou três anos fazendo pós-graduação, com salário integral é claro, muitas vezes estudando na mesma cidade e fazendo pós no departamento onde trabalham, mas sem dar aulas e com um professor substituto contratado. Veio a RSC e eles desistiram pois já ganharam o aumento. Voltaram sem concluir o curso e ninguém lhes cobrou, na maioria das vezes, qualquer satisfação, quiçá que devolvessem o investimento do Governo. Uma literal excrescência!
Falando em pós-graduação ai está outro problema de nossa Universidade Pública a pós, com bolsas, pesquisas direcionadas, teses sobre o ‘sexo nos banheiros do metrô’, Centros para implantação do Comunismo no Brasil (sim havia um na UFOP poucos anos atrás), projetos de resistência ao Governo (mesmo que eleito democraticamente) antidemocrático, et caterva.
Posso dizer que a CAPES é a grande responsável pelo atraso da pesquisa e inovação no Brasil, mas isto é assunto para outro post. O que quero comentar é a endogamia das pós-graduações. Grosso modo, é o seguinte, o individuo é bolsista (quase escravo) de um professor desde a graduação, faz mestrado, doutorado e pós-doutorado, vivendo das bolsas, no mesmo departamento, as vezes sai para um sanduíche no exterior em Instituições com o vínculo forte com seu departamento. Para sobreviver a isto o indivíduo tem de se adaptar ou moldar ao pensamento dominante, repetindo-o. Depois, sem nunca ter trabalhado, sem nenhuma experiência fora da academia, sem saber o que é o mundo real, mas com um currículo acadêmico lindo, é premiado com uma vaga de professor. 
Óbvio que não vai mudar o pensamento dominante, óbvio que não vai fazer o tão necessário embate de ideias e, óbvio que vai permanecer naquela bolha repetindo que o mercado é perverso, que a indústria é ruim, que o capitalismo é bobo, mal e feio. E este indivíduo vai formar os professores de nossos filhos e os profissionais que nos atendem. Deus nos livre!
Por último não pensem que as ações dos últimos governos reduziram tanto o poder econômico e político dos Gestores da Universidades Públicas, o fez, mas ainda falta muito. Vejam como estes se digladiam nas campanhas pelas Reitorias e lutam pelos cargos.
Continuo afirmando...
A Universidade Pública é o Lixo da Política brasileira.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Compreendendo as coisas





Como todos vocês sabem tenho ficado recolhido de meus escritos, ante toda esta estupidez que reina no mundo em COVID. A imbecilidade humana aflorou com toda a força e, aqueles que se dizem mais: mais humanos, mais caridosos, mais conscientes, mais...enfim, se dizem mais que nós. E, em minha opinião são apenas mais imbecis e mais filhos da puta.
Então cansei de argumentar, cansei até de pensar. Continuo praticando minha resistência diária. Lendo os clássicos, estudando história e comprovando-a cíclica, tal qual nossa estupidez. E, é claro me informando com a Revista Oeste, com a Besta. Aliás O JBF é minha cota diária de informação e besteira, na medida certa. Também prático a resistência urbana, saindo de casa religiosamente e andando para ver gente e tentar achar vestígios de normalidade.
Mas este final de semana a falta de preparo de nossos gestores me irritou profundamente. Pelotas, onde vivo fica na metade sul do RS, fronteira com o Uruguai e próximo a fronteira com a Argentina. Já foi a cidade mais rica do estado. Já foi a segunda maior, hoje é a quarta maior cidade do RS e vai perder mais posições. Em termos de riqueza não fica entre as dez mais ricas. Muitos, aqui comparam a metade sul do RS, em termos de pobreza, com o sertão nordestino. É uma bobagem sem tamanho. Mas, sim a metade sul do RS, parte em que a maior cidade, a “capital” é pobre, muito pobre e empobrece a cada dia. Talvez seja a região mais pobre dos estados do Sul e Sudeste.
Mas por que isto? Por que esta região lotada de Universidades Públicas, de escolas federais e serviços públicos regride a olhos vistos?
Sempre tive noções do porquê, mas hoje pude ter certeza.
O Governador do Estado foi prefeito de Pelotas e sua Vice agora é a prefeita, partido PSDB. A macrorregião de Pelotas está dividida entre PT e PSDB, ou seja, estamos fodidos.
O confinamento, ou prisão, do COVID por aqui começou no modelo Dória, PSDB estúpido, fechando tudo. Depois quando percebeu que a coisa ia degringolar o Governador pulou do barco e começou a abrir o estado. A abertura veio com as bandeiras em 11 de maio, se o período de contágio é de 14 dias e podemos ter 14 dias com a pessoa doente, o pico, se fosse ocasionado pela abertura, deveria ter ocorrido por volta de 11 de junho, não ocorreu.
Então o Governo e a turma do fique em casa (a maioria formada por filhinhos de papai e por servidores públicos com seu salário em dia) começou a alertar que a coisa ia ficar feia, que teríamos problemas pelo inverno e, pasmem, resolveram fechar tudo, mesmo que os índices não sejam tão graves.
O RS tem hoje 1619 pacientes em UTI, com 2300 leitos, destes apenas 474 são COVID. O estado tem disponíveis 3412 respiradores e usa apenas 992, apenas 90 com pacientes COVID. E, pasmem, possui 6179 leitos para COVID fora de UTI, usando menos de 1000 leitos. Claro que é inverno, está frio, muito frio, na madrugada em Pelotas tem feito 2 ou 3 graus. Não há risco de sobrecarga. Por que fechar o Estado? Política ou burrice?
Pelotas foi a última cidade do Brasil, com mais de 200 mil habitantes (temos cerca de 400 mil habitantes) a ter mortos pelo COVID, durante muito tempo foi a única a não registrar mortes. Era óbvio que teria mortes, mesmo com a abertura do comércio tivemos apenas 5 mortes, todas com comorbidades e, hoje temos 31 leitos de UTI para COVID e apenas um ocupado.
Mesmo assim o sistema de cálculo das bandeiras do Governo do Estado, que tem problemas óbvios de concepção e que o Governo do estado não aceita rever, classificou a cidade como de alto risco. Coisa que não existe no estado!
Mais, para piorar temos o Reitor da Universidade Federal, que não é médico, é formado em educação física (sério) que se arvora e se diz epidemiologista (pela pós-graduação) e vive dando entrevistas no Fantástico e defendendo um lockdown total no país. Todo mundo sabe que será candidato, provavelmente pelo PSOL, ou algo parecido. Nas redes sociais rodam fotos dele e de sua assessoria, comemorando, em um restaurante, sem máscaras, comemorando aparecer na Globo. E o isolamento? Só para os outros. O Reitor de meu Instituto Federal não aceita discutir voltar as aulas. Meus colegas na maioria só discursam e não aceitam nem uma alternativa de voltar a trabalhar, nem EAD (não tem capacitação, dizem. Mas quando a EAD, via UAB ofereceu bolsas a maioria trabalhou com EAD). Os alunos não têm acesso a Internet, fizemos uma pesquisa, cerca de 85% tem acesso e querem voltar. Aí o discurso é não podemos excluir ninguém.
Bom neste caos, sexta-feira, como era esperado, o Governador do RS pôs Pelotas e outras regiões na bandeira vermelha. Tínhamos (as prefeituras) até domingo para recorrer. Caxias e as cidades da Serra, parte rica do Estado, com números muito mais “feios” que Pelotas e região, através de seus prefeitos foram para a imprensa. Contestaram o governador, criticaram e ameaçaram ir para a justiça. Resultado o Estado recuou e as cidades seguiram laranja e amarelo.
Pelotas e região resolveram não recorrer. Os prefeitos do PT e PSDB ouviram o povo? Não, ouviram os reitores, presos no paraíso de funcionalismo público que em casa, sem nada fazer recebe o salário e presos nos seus interesses políticos. Não recorreram, amanhã fecha tudo e azar da população, azar do comerciante, azar do comerciário, azar do autônomo. Perdemos tempo, dinheiro e emprego para a ideologia e para a idiotice.
Neste momento eu compreendo por que uma região com tantas oportunidades está decadente. Só por exemplo temos duas Instituições (Universidades e Institutos Federais) em Pelotas e outras duas diferentes em Rio Grande (a 40 Km) e mais uma em Bagé a 100 Km. Pelotas deve ter a segunda maior relação de funcionários públicos per capta do Brasil, só atrás de Brasília. E assim mesmo estamos literalmente lascados.
E o porquê está aí. Temos lideranças políticas e acadêmicas débeis, imbecilizadas, mergulhadas no próprio umbigo e nos próprios interesses, na maior parte das vezes espúrias.
Por isso estamos empobrecendo, por isso a região está quebrada. Perdemos cada vez mais oportunidades entregando nossas vidas a lideranças incompetentes e mal-intencionadas. Um bando de hipócritas e filhos da puta.
Isto foi bom para sacudir-me e me fazer ver o que estava em meus olhos, debaixo deles. Nossa região está periclitante e estas lideranças só fazem piorar.
O óbvio ululante mostra seus partidos majoritários: PT e PSDB, parafraseando o Berto: Bostas do mesmo penico.
Farei das tripas coração para dar-lhes o troco nas urnas. Aguardem!

terça-feira, 26 de maio de 2020

CONJECTURAS





Parturiunt montes, nascetur ridiculus mus”, e a montanha pariu um ridículo rato. Põe ridículo nisto! Corro o risco de chover no molhado, mas não vou me abster de opinar. Ademais não creio que a montanha tenha parido apenas um rato, foram muitos, ridículos, sujos, pestilentos e perigosos. Ratos de toga, ratos de terno e gravata, ratos com microfones, redações, jalecos e poder.
Nesta quarentena que já está virando doble quarentena, mais para uma octatena, eu acabei ficando mais quieto. Não porque esteja trabalhando muito ou esteja muito ocupado. Apesar de que, registre-se, tenho trabalhado, de forma remota e, também presencialmente, em meu laboratório com minhas pesquisas e no Campus ajudando na fabricação de álcool gel. Pelo bem de minha sanidade tenho conseguido manter um ritmo de trabalho diário de cerca de 8 horas, embora o trabalho remoto se mostre mais desgastante. 
Mas tenho sentido um cansaço muito grande, cansaço de ter que viver e conviver com tanta safadeza e burrice.
Então procuro ficar quieto refletindo. Engulo sapos, mas não brigo (muito) pois se expressar minhas opiniões no meio acadêmico, onde vivo e trabalho, serei crucificado, em praça pública. Mas é duro, difícil ver pessoas destruindo nossas esperanças com pseudociências, falsos cientistas oportunistas, políticos falsos fazendo politicagem, usando da desgraça para roubar e atingir seus objetivos escusos.
 A única coisa que me gratifica neste momento é saber que meu voto não foi perdido, ainda temos um líder que se preocupa com Brasil. Falem o que quiserem de Bolsonaro, mas o que eu vi na fadada reunião ministerial foi um líder, um presidente preocupado com seu povo, preocupado em cumprir suas promessas de campanha. 
E, apesar dos palavrões, quem não os fala, ainda mais em privado? Deixem de ser demagogos! Gostei muito do vídeo.
Lula aquela candura pudica nunca falou palavrões? Dilma era só finesse quando mandou o brigadeiro que pilotava o avião presidencial se foder em meio a uma turbulência. Ou quando o motorista cansado de suas grosseiras abandonou-a no carro oficial, tendo que o volante ser assumido por um segurança. Segundo aqueles que frequentam os bastidores e as latrinas do poder, em Brasília, apenas Sarney não era afeito dos palavrões.
E daí se Bolsonaro fala palavrões, eu também falo prá caralho e quer saber votei para ter um Presidente que se preocupe com o povo, que cumpra suas promessas de campanha e não roube. Isto ficou muito claro no vídeo de ‘propaganda’ liberado pelo STF e nos atos de Bolsonaro até o momento. 
Ah! Mas eu não gosto das suas promessas de campanha. Problema é seu. Não votou nele porque não gosta dos promessa de campanha é seu direito. E ele se elegeu apesar de não ter o seu voto? Democracia é isso meu caro, a maioria vence, o resto é ‘mimimi’ de perdedor. Fodam-se!
Mas tenho de registrar que fiquei perplexo com afastamento de Sérgio Moro. Sobretudo porque se afastava do governo um homem símbolo, aquele que se tornara ícone do combate a corrupção. O cara que enjaulara o ‘Nove Dedos’. Tinha-lhe uma grande consideração. Quando Sérgio Moro se afasta do governo Bolsonaro cria-se um dilema entre todos aqueles que admiravam aos dois, aqueles que lutam por um Brasil melhor, por um Brasil decente. A forma como se deu o fato mostrava que um dos dois estava mentindo, não importa qual, um dos dois estava mentindo. E eu me decepcionaria. Mas sobrevieram os fatos.
Primeiro votei em Bolsonaro, por ele mesmo, pelo que ele representava e, ressalte-se, apesar dele mesmo. Não votei em Moro, ele não era candidato, se o fosse teria meu voto, naquele momento. 
Depois vieram os fatos ‘incontestáveis’ da grande imprensa e a iminente queda de Bolsonaro. Mas os fatos e a realidade são teimosos e que vejo? 
Sérgio Moro aquele que sofreu implacável ataque da grande imprensa, da Globo, Veja et caterva. Aquele que sob ataque, mentiras e crimes foi crucificado e teve ao seu lado Bolsonaro, seu Governo e o povo. Agora era só sorrisos, herói do Jornal Nacional, destaque do Fantástico. Continuando assim quando voltar o futebol vai pedir música nos gols.
Antes a imprensa antes, a Rede Globo, o crucificavam e, hoje esse mesmo Sérgio Moro é o queridinho da Globo e da imprensa que se opõem a Bolsonaro. Há algo de podre no reino da Dinamarca!
Mas, quem mudou? A imprensa, Bolsonaro ou Sérgio Moro? Nenhum. A imprensa brasileira, com raras exceções, continua composta por um bando de filhos-da-puta, antidemocráticos e oportunistas. Bolsonaro, continua o mesmo da Campanha, para desespero de seus detratores. O tal vídeo mostrou isto. E Moro? Moro mostrou seu despreparo e falta de caráter. Ou, pelo menos, uma ingenuidade política descomunal.
Está, ele Moro, usando ou sendo usado pela mídia? Tanto faz comportam-se como parasitas da sociedade e da boa vontade dos brasileiros. Mas acho que Moro será triturado pela grande mídia e depois cuspido fora. Me decepcionei com Moro? Sim, porque esperava muito mais dele. O que acho que aconteceu? Lhes digo, uma sucessão de erros.
 O que ocorreu desde o princípio foi um grande emaranhado de expectativas erradas. Quem votou em Bolsonaro na grande maioria gostava de Moro e ficou feliz quando Bolsonaro, bravateiro, disse que o convidaria para Ministro. Acredito que Bolsonaro convidou-o exatamente como uma bravata, achando que Moro seria inteligente o suficiente de não aceitar. Que aguardaria sua nomeação para o STF.
 Mas Moro, provavelmente, já se sentia tolhido, sem mais ter para onde crescer na Justiça Federal e aceitou Ministério. Embora não quisesse a segurança pública, queria apenas a vitrine da justiça, acabou levando os dois. Deu sequência a um bom trabalho começado por Alexandre de Moraes.
Mas Moro estava deslocado, não concordava com as pautas de Governo. Lembrando que estas pautas foram promessas de campanha de Bolsonaro, ele sabia para onde ia o trem quando embarcou. E aprendeu política nas mais pura essência, pelo método Brasília, levando rasteiras.
O vídeo mostra a indignação com a cobrança, devida e justa que levou. Ficou magoado? Pede para sair ou vai a merda.
O STF já tinha subido no telhado e, hoje, afirmo, que bom para o Brasil. Por quê? Porque Moro foi um Juiz rígido, duro com o crime e assim seria ou será no STF. Mas é também afeito ao ativismo judicial. O que é extremamente prejudicial para o Brasil. Moro se aproxima do Ministro Barroso, na rigidez e no ativismo. E, hoje, ativismo judicial é o que menos precisamos. Basta vero que o STF vem fazendo, legislando e administrando sem voto e sem ter de prestar contas a ninguém.
De resto tudo que Moro falou e apresentou, mostrou apenas alguém ressentido e com aspirações políticas imensas e um ego e vaidade maiores ainda. Por mais honesto que seja não precisamos de um boçal egocêntrico no Palácio do Planalto, ou como queira, não precisamos de mais um. Mas Moro ao alinhar-se com aqueles que o detrataram. Ao cuspir naqueles que o ajudaram. Ao expor pessoas de sua intimidade, como a Deputada Bia Kicks. E, principalmente ao comprometer o Governo com acusações pífias e que não se comprovaram, só mostrou uma face do seu caráter que definitivamente não me agrada.
Para finalizar, acho que Moro apostou que o PGR, Aras, iria arquivar o caso, sem investigar, para ajudar Bolsonaro e manter a estabilidade na crise. Por isso falou o que falou, ficaria palavra contra palavra, e que cada um imaginasse o que quisesse no tal vídeo que citou. Mas o PGR entendeu por bem mostrar a verdade e foi a fundo. E, o Decano ao, desesperadamente, tentar criar um caso, liberou o vídeo. Bom aí está, basta assistir, clareza meridiana.
Bolsonaro é o que é. Sem máscaras, no público e no privado. E Moro ficou só na retórica, sem provas e ou comprovações do disse. Ou era um juizinho de merda, que não sabia o que eram provas robustas ou é apenas mais um mentiroso oportunistas.
Por isso vou repetir o que muitos já disseram, ao final de tudo, ao fim e ao cabo, a montanha pariu um mísero rato. Um rato miserável que juntou-se a rataria fétida que empesta os poderes em Brasília e, que atualmente tem mostrado a cara no Tribunal.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Heróis Esquecidos





Nestes tempos de confinamento, mais do que nunca precisamos de líderes, de exemplos e, até de heróis. Mas o Brasil e os brasileiros tem memória curta e nossa escola formadora de militância faz questão de fazer-nos esquecer de nossos heróis e, tenta de todas as formas nos impor heróis que não resistem ao mínimo crivo do bom-senso.
Nossos professores de história tentam colocar na cabeça dos jovens que heróis foram Dilma (a Anta), Lula (o ladrão) ou Marighela (o assassino e terrorista). Esquecemo-nos daqueles que anonimamente dão e deram suas vidas pelo Brasil e brasileiros.
As centenas de policiais que morrem nas mãos de bandidos diuturnamente em nossas ruas. Policiais que são assassinados no cumprimento do dever de proteger-nos e não recebem um lamento, um pio sequer dos defensores dos direitos humanos. Isto quando não são acusados de ser isto ou aquilo pelos defensores de bandidos. E, são tantos outros: bombeiros, caminhoneiros, trabalhadores, médicos, professores, heróis cotidianos, solenemente ignorados pela mídia, por políticos e pela ‘Entidades Defensoras de Direitos Humanos’.
Tivemos nesta semana algumas efemérides dignas de nota: o dia do soldado, 19 de abril, que deu o que falar. Não sei como alguém em sã consciência observa um Presidente indo ao encontro do povo, discursando que dele (o povo) emana o poder, que não há acordo com o estabilishment (pau neles) e consegue acusá-lo de ditador ou golpista. Só na mente criativa de nossa pseudo-imprensa. Dia 21 de abril tivemos Tiradentes, mártir de nossa independência, data a muito esquecida em importância, lembrada apenas por ser feriado, algo sem relevância nos tempos de COVID.

Mas tivemos em 17 de abril a data em que se comemora a Tomada de Montese pelos Pracinhas da FEB (Força Expedicionária Brasileira), na Itália, durante a Segunda Grande Guerra. Heróis de verdade lutando pela pátria. E, neste dia, o Pracinha Ten. Ermando Armelindo Piveta se recuperou do tal COVID-19, mortal segundo nossa imprensa. O Pracinha de 99 anos nos mostrou, de novo, que o bicho não é tão feio quanto pintam e que, se quisermos vamos derrota-lo, sem precisar desta corja de oportunistas. E, mais, curou-se com Hidroxiquinona. Querem mais?

Lembrei-me do Ten. João, pracinha da FEB, com 100 anos que vive em Pelotas e que está sempre presente, em qualquer cerimônia que exalte os valores da pátria, da família e do dever. Gosto muito de conversar com ele, lúcido, experiente e bom de papo, transforma qualquer conversa numa aula inigualável. As vezes levo meu filho para conversar com o Ten. João, aprender com quem tem, realmente o que ensinar.

Ademais o Ten. João lutou na Itália ao lado de meu saudoso avô João Sainz Ovalle. Meu avô, espanhol de origem, brasileiro de registro, lutou com a FEB na Itália. Arriscou sua vida pela minha, pela nossa liberdade. É destes heróis, esquecidos da grande população, que estou falando.

A tomada de Montese levou alguns dias para ocorrer, os brasileiros atacaram e tentaram subir e tomar a cidade entre 14 e 17 de abril. Muitos brasileiros deram ali suas vidas, em prol da liberdade, na luta contra o Nazi-fascismo (que embora enlouqueçam os esquerdopatas eram sim Regimes de Esquerda). Dentre estes heróis se destaca a histótia de 3 soldados mineiros.

Durante a tomada de Montese, estes três brasileiros saíram em patrulha pela região. Seus nomes eram Geraldo Baêta da Cruz, de 28 anos, vindo de Entre Rios de Minas, Geraldo Rodrigues de Souza, 26 anos, natural de Rio Preto na Zona da Mata, e Arlindo Lúcio da Silva, de 25 anos, proveniente de São João del Rey.
Era 14 de abril de 1945 quando os três pracinhas se depararam inesperadamente com uma companhia inteira do Exército alemão. Os alemães estavam em aproximadamente 100 homens, completamente armados, e ordenaram aos brasileiros que se rendessem. Em meio à sangrenta batalha pela tomada de Montese, que durou quatro dias, os brasileiros optaram honradamente por não se render, e lutaram com bravura até a munição acabar e serem, após horas de combate, mortos pelos alemães. A coragem dos brasileiros foi tamanha que o comandante nazista mandou enterrá-los e posicionou sobre a cova uma placa com o escrito “Drei Brasilianische Helden”, “Três Heróis Brasileiros“.
Em um país como os EUA seriam heróis conhecidos e mostrados como exemplos nas Escolas. No Brasil foram esquecidos e, acredito que a maioria dos professores de história brasileiros sequer ouviu falar dos 3 heróis mineiros e, se ouviu não deu bola, nada que não venha de Marx lhes importa.
Mas por incrível que o pareça há uma música, Rock Heavy Metal (eu curto) de uma Banda Sueca chamada SABATON, que conta a história e homenageia os 3 brasileiros (vejam os suecos conhecem nossa história, nós não). A música se chama SMOKING SNAKES (Cobras Fumantes, em alusão ao símbolo da FEB). Abaixo coloco o link para um vídeo com a música.
Um detalhe que pode passar desapercebido no final do vídeo. Aparecem um soldado alemão e um oficial alemão reprendendo o soldado por ter enterrado os brasileiros. É uma ficção pois os alemães contaram depois de rendidos que foram os oficiais alemães, reconhecendo o heroísmo dos brasileiros que mandaram sepultá-los. Mas no vídeo o oficial ao final prende o soldado e o ameaça de Corte Marcial dizendo você é igual a eles. O soldado responde, em português, ‘não sou não, eles são heróis’. 
O fato de um soldado alemão falar português é outra passagem de nossa história que desconhecemos. Centenas de jovens, filhos e netos de imigrantes alemães forma estudar e trabalhar na Alemanha pouco antes da guerra. E lá quando do início do confronto foram incorporados, à força ou voluntariamente, as tropas do Reich. Outros tantos brasileiros foram enviados por suas famílias para lutar pela Alemanha antes do Brasil entrar na guerra. 
Tínhamos brasileiros lutando do lado alemão também. Certos ou errados eram brasileiros, é nossa história, temos de conhece-la. Muitos voltaram para casa depois da guerra e aqui viveram até sua morte. Perto da casa de meu avô vivia um destes soldados, o conheci através de meu avô. Eram amigos apesar de terem lutados em lados opostos na guerra.
Mas nada, nada mesmo, macula o heroísmo dos três mineiros: Geraldo Baêta da Cruz, Geraldo Rodrigues de Souza e Arlindo Lúcio da Silva. Hoje, mais que nunca precisamos de seus exemplos.
Precisamos de Líderes e de Heróis!

Espero que curtam a música o link está abaixo.