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sábado, 25 de março de 2017

Miscelânia





Ainda a carne...
1-      Na última coluna comentei o que chamei de, no mínimo, uma monumental burrada, a chamada Operação Carne fraca. Afirmei, e ainda afirmo que, o preço a ser pago por todos os brasileiros, por esta burrada será enorme.
2-  Recebi muitos comentários interessantes, alguns favoráveis outros descordando veementemente de minha opinião. Faz parte da democracia. Mas mantenho minha posição e opinião.
3-      Tudo que disse foi demonstrado pela imprensa ao longo da semana. E como viram já estamos sofrendo cortes drásticos de empregos e com o fechamento de frigoríficos Brasil afora.
4-      Tudo por culpa da vaidade de alguns agentes públicos que resolveram agir a margem da técnica e da lógica.
5-      Pensem! O Brasil levou 20 anos para atingir o patamar de maior exportador de carne do mundo. Alguém acha que mercados exigentes como o Japão, países Árabes, EUA entre outros comprariam carne do Brasil sem a certeza e garantia da sua qualidade? Alguém acha que estes países não mantém um rígido controle dentro dos frigoríficos exportadores? Claro que mantém. E sabem que nossa carne não apresenta quaisquer problemas.
6-      Se sabem por que suspenderam as compras? Simples, apelo popular e oportunismo. Oportunismo sim. Negócios são negócios, a carne brasileira tem um preço mais alto no mercado internacional, se os compradores tiverem a chance de baixar nossos preços o farão. E quem deu a chance, nós mesmo. Vamos amargar prejuízos por no mínimo 5 anos.
7-      Um terço de toda a carne de frango consumida no mundo é brasileira. O Brasil é o maior produtor mundial de carne para consumo étnico-religioso. As carnes Halal  e Kosher são parte significativa da produção brasileira (Halal é o alimento produzido segundo os preceitos do Corão e permitido para consumo pela Xaria. É o alimento, neste caso a carne ,produzida de acordo com os preceitos religiosos e apta para o consumo dos muçulmanos. Já kosher são os alimentos produzidos segundo os preceitos da lei judaica).
8-      A produção e processamento de carnes para os fiéis destas religiões é algo muito sério e toda a cadeia produtiva é severamente monitorada. Ou seja, é quase impossível fraudar qualquer coisa nesta cadeia. Os países e religiosos envolvidos pagam mais caro pela segurança de que a carne foi produzida de acordo com suas crenças. Vocês acham que admitiriam fraudes. Poupem-me! Ou alguém ai já viu judeu, árabe ou turco perder dinheiro?
9-      O Juiz responsável pela Operação carne fraca afirmou em entrevista que o mote da operação era prender servidores públicos corruptos. Que as duas análises apensadas ao processo (apenas duas) demonstraram inconformidades nos produtos. Mas reiterou que não havia comprovação de problemas sanitários ou de risco de contaminação dos consumidores.
10-  Inconformidade é algo mais ou menos assim: num saco de pregos temos 5% com a cabeça torta, o lote está inconforme. A inconformidade é que havia menos carne de peru nas salsichas do que dizia no rótulo. O peru foi trocado por frango só isso.
11-  Os corruptores (donos dos frigoríficos) e um dos fiscais afirmaram que a propina não era para mascarar problemas ou fraudes. Era para evitar que os fiscais ‘inventassem’ problemas dentro das indústrias.
12-  Isso mesmo! Nos meus tempos de atuação em tecnologias de carnes ouvi centenas de relatos sobre esta prática extorsiva. O fiscal diz que um funcionário espirrou, por exemplo, dentro da fábrica. Ou que não lavou bem as mãos antes de entrar na planta e pronto duzentas, trezentas reses recém abatidas tem de ser incineradas. Simples assim!
13-  E funciona? Sim. Para evitar prejuízos enormes os industriais pagam a propina. Mas não há como contestar? Não. O fiscal tem fé pública. E denunciar? Também não. O corporativismo do serviço público protege o corrupto que depois vem contudo para cima da empresa.
14-  A bem da verdade cabe dizer que os corruptos são uma minoria. Minoria que deve ser punida e expurgada do Serviço público.
15-  Como também aqueles membros da PF que por vaidade, imperícia ou por motivos escusos (que sabe-se lá a que interesses políticos e econômicos, nacionais ou estrangeiros atenderiam) devem ser afastados, sofrerem sindicância e, se culpados, punidos.
16-  A PF pisou na bola!

A propósito do corporativismo...

17-  É o corporativismo o maior inimigo do Brasil e dos brasileiros.
18- O corporativismo dos políticos, o corporativismo sindical e principalmente o corporativismo dos servidores públicos. É a práxis corporativa do serviço público que protege os vagabundos, que permite e incentiva a corrupção.
19-  É o corporativismo que nos condena a péssimos serviços públicos pagos a peso de ouro à ‘Marajás” que só fazem greve e buscam direitos. Deveres e compromisso com o povo ? Nunca.
20-  Em que pesem as raras exceções, e perdoem-me os funcionários públicos honestos, trabalhadores e competentes, coisa rara no país hoje. É esse corporativismo e reacionarismo que estão pondo em xeque todo o futuro da nação.

Reacionarismo sindical...

21-  Os sindicatos dos serviços públicos brasileiros têm sido o ponto de resistência as tão necessárias reformas do país.
22-  Quem mais pode fazer passeata e greve durante a semana, sem desconto do patrão?
23-  Sabem meus colegas me surpreendem cada vez mais com seu egoísmo e falta de senso cívico. Vão destruir o futuro do país em prol de suas benesses e mordomias.
24-  Não costumo manifestar-me em aula sobre questões político-partidárias. E, ultimamente, nem sobre questões políticas. Mas na semana passada, instigado por meus alunos, falei sobre as reformas propostas pelo governo. Apresentei dados, discuti as versões apresentadas na imprensa. Mostrei os pontos e contrapontos. E por fim manifestei minha opinião, amplamente favorável as reformas.
25-  Uma tripla surpresa. Primeiro porque segundo meus alunos fui o único professor que apresentou dados e discutiu fatos, sem vociferar mantras contrários ao governo. Em segundo lugar porque fui o único que defendeu as reformas, apesar de ser afetado por elas. Expliquei que é uma questão de lógica e coerência. Coerência daquele ser pensante que quer a mudança para melhor do nosso Brasil. Lógica porque, como demonstrado, é só uma questão de sobrevivência. Sem a reforma a previdência quebra, se quebrar nem eu, nem nenhum deles terá aposentadoria. Óbvio!
26-  A terceira surpresa foi o fato de a grande maioria dos alunos concordou com minha opinião.
27-  Em resumo o corporativismo e não a carne é que apodreceu o  Brasil. Sindicatos, Políticos e Servidores Públicos (há exceções) são o ranço e a podridão que afeta toda a nação.

Por falar em podridão...

28-  O Congresso nacional nos prepara outra surpresa. Voto em lista. Isto é uma afronta!
29-  Que começou com a Rede e o STF proibindo o financiamento privado de campanhas. Ah, mas e a corrupção?
30-  A corrupção tem de ser combatida e os corruptos cassados, caçados (com cedilha mesmo) e presos, ponto.Proibir o financiamento privado é aumentar a conta do combalido povo e aumentar ainda mais o caixa dois. Ou vocês não viram os múltiplos casos de doadores mortos ou beneficiários de bolsas do governo nas últimas eleições?
31-  Não é fazendo o povo pagar a conta que resolveremos isto. Não é com lista fechada que vamos diminuir o custo das campanhas. Isto só vai beneficiar os corruptos, os próceres dos partidos. E trará para a política o financiamento do crime organizado. PCC, Comando vermelho et caterva agora podem comprar seu próprio partido político.
32-  Tudo com as bençãos do STF.
33-  Como resolver? Simples. Diminuir o tempo de campanha e de televisão. Voto distrital, com ele as despesas cairão muito. E os programas partidários devem resumir-se ao candidato falando suas propostas com o simbolo do partido e seu número ao fundo. Afinal o que importa são as propostas.
34-  Assim com campanhas baratas, o financiamento por pessoas físicas (que ainda é legal) será suficiente.Não precisaremos de dinheiro público, nem de corrupção. As campanhas serão locais, simples e baratas.
35-  Só assim começaremos a expurgar a podridão do Brasil.

Bom domingo, a todos!
Pegue sua bandeira do Brasil e vá ao protesto. Mas não deixe que o usem em pautas que não são do seu interesse.
Proteste contra a corrupção. Pela Lava-jato. Pelas reformas tão necessárias ao país.


AH! E POR LULA NA CADEIA! JÁ.

terça-feira, 21 de março de 2017

A Carne é fraca?!



Não poderia deixar de comentar a desastrosa Operação da Policia Federal intitulada ‘A carne é fraca’. Desastrosa em todos os sentidos.
Desastrosa ao mostrar mais uma vez a corrupção entranhada nas vísceras do serviço público. Desastrosa ao prejudicar uma das únicas cadeias de negócios ainda saudável (até então) nesta era pós-PT. 
Desastrosa pois nos demonstra que o Estado ao imiscuir-se em outras funções que não são da sua competência acaba por deixar de fazer aquilo que é essencial e lhe compete, a fiscalização e regulação dos mercados (da carne, do leite, do que seja).
Desastrosa ao transformar em picadeiro uma ação policial que deveria servir para expurgar o lixo deixado pelo PT e seus autoproclamados ‘Campeões Nacionais’. A operação Carne Fraca foi um circo, mas não foi nem será engraçada.
A polícia federal que até então vinha dando exemplos de integridade e competência na operação Lava-jato e congêneres trocou os pés pelas mãos e fez besteira. A atuação na fase de ‘comunicação’ desta operação foi algo sui generis. Idiossincrasias de um Brasil brasileiro!
Tanto que o Delegado que levou a cabo a operação e a própria operação foram alvos de críticas do Governo, de entidades ligadas ao agronegócio e de seus pares. A Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais) emitiu um posicionamento defendendo o que chamou de "atuação irrepreensível" dos policiais. Mas criticou duramente o delegado , que coordenou a operação.
Carlos Eduardo Sobral, presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), criticou a forma como a Operação Carne Fraca foi divulgada na última sexta-feira. “Acho que houve um equívoco de comunicação”, declarou. 
 Devemos lembrar que as Instituições, entre elas a PF, são feitas de pessoas. E pessoas são levadas pela vaidade, pela emoção e por interesses. Não serei leviano de afirmar que foi o caso, mas que as reações mostram que houve no mínimo exagero midiático e espetaculização do evento, elas mostram e houve.
A entrevista dada pela Coordenação da Operação foi tecnicamente fraca, ridícula. Misturou alhos com bugalhos, interpretou escutas telefônicas sem compreender o contexto em que se inseriam. E se verídicos os relatos da Imprensa, baseou-se em apenas um laudo. Um laudo em dois anos. Ridículo! 
E ainda tentou dar uma desculpa esfarrapada de sigilo. Vão contar outra. Se um aluno sob minha orientação, na graduação, tentar validar resultados como estes, baseado em um único laudo eu o reprovo na hora.
Manifesto-me veementemente neste caso, pois sou Professor e Técnico da área há mais de 20 anos e lecionei por quase 10 anos, no nível técnico e superior (de graduação e pós) disciplinas ligadas à tecnologia de Carnes e derivados. Então me sinto competente para afirmar a PF pisou na bola e feio.
E qual o problema? Havia ou não fraude e funcionários corruptos? Sim e sim. Mas são casos pontuais. O Brasil possui um dos Sistemas de Fiscalização Sanitária mais eficiente do mundo. Tanto que exportamos (espero que ainda continuemos a exportar) para os clientes mais rígidos e exigentes do mundo. E mais, nenhuma das práticas mostradas traz riscos severos ao consumidor. São fraudes e perda de qualidade tem de ser combatidas e duramente. Só. 
Por exemplo o tal de papelão que falaram, pelo contexto pode ser duas coisas: ou uma referência a entrada de produto encaixotado na área limpa ou uma referência jocosa a um aditivo, a carboximetilcelulose (muitas vezes apelidada de papelão nas Indústrias), que é um aditivo permitido em embutidos (espessante) e outros alimentos, embora a conversa dê a entender que poderia estar sendo usado acima dos teores permitidos. 
Já a cabeça de porco é insumo de indústria, não pode ser usada em linguiças e produtos frescais, mas pode e é usada legalmente em produtos cozidos como morcilhas, queijo de porco e mortadela. Atire uma pedra quem nunca comeu uma orelha de porco em feijoada.
O percentual de empresas atingido é mínimo, 21 frigoríficos num universo de quase 4500. Punam-se os fiscais envolvidos e punam-se estes frigoríficos. Mas preserve-se a cadeia produtiva.
Faltou, também, a presença de técnicos do setor. Por que em dois anos a PF não procurou técnicos nas Universidades e em outras instituições de pesquisa? Técnicos que pudessem apoiar com laudos e auxiliar na interpretação das gravações. Pelo amor de Deus! Será que não havia técnicos e peritos da própria PF para apoiarem a operação? Por que não foram chamados? 
Resposta óbvia porque não quiseram. Simplesmente, não quiseram apoiar-se em quem conhece. Por quais razões interesses e motivos, quiçá um dia saberemos.
Por algum motivo ainda obscuro a Coordenação da Operação optou por fazer um espetáculo de circo. E a mídia ávida por sangue repercutiu sem pensar nas consequências e sem dosar ou confirmar o conteúdo.
Ah, mas não houve frade e corrupção? Sim, mas foi algo pontual. Pelas informações difundidas ad nauseam pela imprensa, são casos isolados até na produção dos próprios frigoríficos e sem lastro técnico.
Mas e ai? Não devemos punir os culpados? Sim. Devemos punir os culpados, duramente. Na forma da Lei, afastá-los, processá-los com direito amplo a defesa e se comprovada a infração exonerar os servidores públicos envolvidos. Recolher lotes, interditar empresas e multá-las também. 
Ninguém pode fraudar o consumidor.  O problema foi a tempestade no copo d’água. O tamanho do espetáculo que não condiz com a realidade.
E o que isto nos leva? Nos leva a criar um pânico onde não é necessário. Nos leva a perder receitas importantíssimas nesta crise advindas das exportações. São empregos e mais empregos ameaçados.
É o riso dos esquerdopatas que se regojizam com o imbróglio, para eles quanto pior melhor, então dane-se o trabalhador. É o MST rindo do agronegócio. É a esquerda pondo a culpa no capital. 
É o PT, o PMDB e os políticos com o rabo preso na Lava-jato que usaram este espetáculo idiota como prova do seu discurso de que a PF e o MPF fazem espetáculo midiático da Lava-jato, o que não é verdade. 
É a sorte daqueles que competem internacionalmente conosco. Fecham-se empregos aqui, abrem-se empregos e oportunidades lá fora, por incompetência nossa. 
A 'carne fraca' deu aos corruptos o fato que eles usarão para ‘comprovar’ a espetaculização, aquilo que acusam diuturnamente a Lava-jato de fazer. Lula deve estar rindo sozinho. Um ovo podre estraga todo o cesto. Um erro em uma operação servirá para achincalharem todas as operações.
Sabemos que o agronegócio é vital ao Brasil e quem suga o sangue do nosso campo e dos produtores rurais são os parasitas do MST. 
O capital gera emprego, faz vicejar a economia. É a ganância de uns poucos indivíduos que faz a corrupção, não o capital. Capital não tem vontade, Capital não tem conta na Suíça, nem sitio em Atibaia, são indivíduos que os possuem. 
Mas esta operação desastrada deu munição a esta súcia. E eles vão deitar e rolar!
Foi MUITO BARULHO POR NADA! Só isso. Mas nós, todos os brasileiros teremos de pagar a conta.
E estes senhores que coordenaram este desastre (delegados, promotores, etc.) o fizeram  motivados pelo que? Inveja? Vaidade? Incompetência? Precipitação? Outros interesses? Ou um misto de tudo isto?
Não sei. Mas prestaram um desserviço a nação.
O que posso dizer como técnico da área é que lamento muito por tudo isto. Que nos sirva de lição. Que se punam os culpados (inclusive os que protagonizaram esta patacoada). E vocês cidadãos, pelo que foi posto até o momento, podem ficar tranquilos e comer seu churrasco e seu bife.
A fraqueza não está na carne. A fraqueza está nos erros e na precipitação.
A carne do Brasil, a carne do brasileiro não é fraca!
Vamos lá, nos reerguer e dar a volta por cima. De novo!


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EM TEMPO: IMPERICIA?
Ao finalizar este texto chegou ao meu conhecimento uma nota contundente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais, que vai ao encontro do destacamos nas mal traçadas linhas acima. Vejam o que dizem os nossos peritos da PF:
“[...]3. Diante do exposto, a APCF tem o dever de esclarecer publicamente que as afirmações relativas ao dano agudo à saúde pública, divulgadas por ocasião da deflagração da “Operação Carne Fraca”, não se encontram lastreadas pelo trabalho científico dos Peritos Criminais da Polícia Federal, sendo que apenas um Laudo Pericial da Corporação, hábil a avaliar tal risco, foi demandado durante os trabalhos de investigação, sem que se chegasse, no entanto, a essa conclusão.[...] Grifo nosso.”.
Ora a quais interesses a Coordenação da operação ‘Carne fraca’ estava atendendo? Aos do Brasil e dos brasileiros certamente não.
Será que a conduta destes servidores não se enquadra como ato infracional de desídia? Negligência, imprudência e imperícia são atos infracionais culposos ante os quais o servidor público deve responder. 
Que se afastem estes servidores, que sejam submetidos a uma sindicância e que tenham, é óbvio, o direito da ampla defesa resguardado.
E após este procedimento que sejam ou não (dependendo do resultado da sindicância) responsabilizados por seus atos.

Mas urge uma atitude dos superiores. Antes que ações como esta ponham a perder tudo que a Lava-jato e operações congêneres construíram nestes 3 anos de esforços.